Apropriação cultural?! Posso brincar disso também?

Sou filho adotivo de um pai negro e uma mãe branca. Minha avó paterna me chama de “neto branquinho”, minha esposa me chama de “meu pretinho”. Nessa seara maluca de apropriação cultural, a qual cultura eu pertenço? Que grupo me dará os direitos de estar do seu lado no parquinho?

Meus sobrenomes são italianos e portugueses. Sendo assim, talvez eu possa usar boina e tomar vinho do porto. Mas como pode isso fazer sentido se meu sobrenomes nada têm a ver com a minha origem?

Sem árvore genealógica, como muitos outros brasileiros, qual seria minha turma?

Será que temos MESMO que escolher uma turma?

Quando era criança, tivemos uma “feira das nações” na escola. Nela, eu com meus onze anos de idade, fui ajudado por um cônsul indiano convidado pela escola a fazer a amarração de um turbante. A minha sala falava da Índia e eu era um “marajá” no desfile das culturas promovido pela escola. Fico imaginando se ainda é possível fazer esse tipo de coisa hoje em dia e levar parte da riqueza de outros países pra dentro da escola, sem que alguém viesse reclamar sobre “apropriação cultural” ou que eu e outros estudantes que não eram negros, não poderiam usar turbante.

Vamos parar de problematizar tudo por favor, e nos preocupar com problemas de verdade? Antes que essa história se torne mais uma paródia do “Joãozinho e o lobo” e ninguém mais dê crédito a movimentos sociais que realmente são sérios.

Um abraço desse pai “branquinho/pretinho”, sem árvore genealógica e com sobrenome europeu, que não sabe dizer em qual rodinha pode sentar, pois as atuais reclamações sobre apropriação cultural pelo jeito, servem apenas para separar grupos e criar muros no lugar de pontes.

[]’s

Pai Mesmo

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Sobre paimesmo

Bem vindo! Trabalho com tecnologia, sou nerd, jovem, professor e sim... Sou pai mesmo. Como é ser pai e conciliar todos esses papéis? Me siga e descubra.

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