Adaptação ou Preparação para Mudanças?

Esse ano o pitoco precisou mudar de escola. Vários foram os motivos que nos fizeram tomar essa decisão.

  • Distância da escola antiga
  • Divergência de filosofia nossa com a escola
  • Metodologia e estrutura física da escola
  • Possibilidade de atividades extras

Nessa busca, levamos um bom tempo até conseguir encontrar uma instituição que nos atendesse em todos os requisitos. Os principais foram o horário, pois precisava ser integral, e o preço, pois simplesmente não dá pra pagar o que algumas escolas pedem. Até que finalmente conseguimos.

Voltando um pouco no tempo, vou falar sobre todo o processo, desde que tomamos a decisão de que não daria mais para ele ficar na escola antiga. Lá em Novembro de 2016, voltando da escola em um dia normal, contei pra ele no carro que ele mudaria de escola. A nova escola dele (que não existia ainda), seria mais legal, maior, teria novos amigos, novas professoras, etc, etc, etc.

Minha esposa, que é muito melhor do que eu nessa parte, foi a principal responsável por fazer tudo parecer o mais legal e empolgante possível. Apesar de eu ter sido o único da família que fez teatro (por enquanto), às vezes preciso de uns petelecos pra pegar no tranco e usar isso no dia-a-dia com o pitoco. No princípio ficamos na dúvida se tinha sido uma boa ideia contar pra ele as coisas com tanta antecedência e nos dias seguintes ficamos até com medo de dar algum problema com a professora na escola, mas no final acabou dando super certo. Por termos contado, ele teve um tempo pra se despedir da “tia” da escola antiga, entender que alguma coisa iria mudar na vida dele e nosso trabalho “psicológico” foi andando mais facilmente.

Quando finalmente encontramos o lugar que tinha a melhor estrutura dentro daquilo que podíamos pagar, antes de fazer a matrícula e bater o martela, decidimos leva-lo para conhecer a escola. No caminho, fomos repassando com ele o que ele gostaria de perguntar para a coordenadora.

  • Tem pátio?
  • Tem massinha?
  • Tem parquinho?

Como já estávamos falando pra ele que ia pra uma escola nova, ele já chegou lá achando que ia ficar e querendo saber onde estavam os amigos novos. Tivemos que dizer que eles ainda estavam de férias, mas que logo eles iam se conhecer. A coordenadora começou a mostrar o espaço pelo berçário, momento em que ele já soltou a primeira pérola.

“Tia, essa sala é de bebês. Não tem sala para adulto igual eu?”

Caímos na risada e a coordenadora continuou mostrando o lugar. Fomos embora com o pitoco com cara de “ué”, se perguntando por que não ficou na escola nova e ainda não entendendo o motivo dos amigos ainda estarem de férias.

Com a recepção positiva do pitoco, decidimos dar um fim nas buscas. Nós mesmos já havíamos visitado outras escolas antes e descartamos por não concordar muito com a filosofia do lugar, ou por falta de transparência. Uma das escolas inclusive se negou a nos entregar a lista de materiais escolares antes de nós fazermos a matrícula, atitude que considerei ridícula e um olhar fulminante da pitoca me fez frear momentos antes de soltar um caminhão de melancia encima da coordenadora que estava nos atendendo. Só pra constar, a escola que escolhemos publica em uma área pública do site o material escolar. Não precisa nem ligar pra perguntar. Ponto positivo mais uma vez.

Mas o trabalho psicológico da preparação para a mudança não parou por aí. Continuando com os trabalhos, agora para comprar o material escolar.

Quem me conhece sabe que odeio muvuca e aglomerações. Começo a passar mal e fico muito, muito irritado. Mesmo assim, com o apoio da pitoca que me fazia ficar calmo (me mandando de tempos em tempos para o setor de insumos de escritório da papelaria, que estava vazio), resolvemos levar o pitoco e deixa-lo participar da compra dos materiais. Levando em consideração a mesma estratégia da escola, separávamos algumas coisas de marcas que achávamos boas o bastante e com preços dentro da razão e deixávamos ele escolher. A mochila acabamos tendo que comprar em outra loja, pois na primeira que fomos não estava dando certo bater com o orçamento.

Com tudo isso, o que seria uma “adaptação”, acabou virando ansiedade e no primeiro dia de aula, o pitoco pulou da cama como uma bala e em menos de meia-hora já estava pronto, puxando a mochila dele na porta do apartamento e querendo ir pra escola nova. No dia seguinte recebemos um bilhete da professora dizendo que ele já estava super adaptado.

Foi a primeira vez que fizemos isso. Nos outros anos, esse período de adaptação foi um pouco mais dolorido. Diria que mais dolorido para nós (especialmente para a pitoca), do que para ele, mas isso é assunto pra outro post!

[]’s

Pai Mesmo

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